Sobre Neil Gaiman, Steve Jobs e Playstation

Antes de mais nada, este não é mais um post em homenagem a Steve Jobs.

Terminei de ler nesta semana um dos melhores livros que já passaram pelas minhas mãos (e acredite quando eu digo que não foram poucos): Deuses Americanos (American Gods, em inglês), história sensacional narrada pelo mestre por trás de Sandman, Neil Gaiman.

No livro, Gaiman faz a pergunta de um milhão de dólares: No que realmente acreditamos? Até que ponto iríamos por algo que acreditamos ser a verdade absoluta? Na verdade, Neil toca num ponto sensível da humanidade, e que, muitas vezes, custamos a acreditar: Nossos deuses são etéreos, se transmutando a cada novidade que nos é apresentada. Em instantes nossas verdades já não são mais as mesmas, nossos sistemas não funcionam, nossos gadgets são ultrapassados, nossas vidas se tornam tediosas.

Mais do que isso, Gaiman nos mostra como idolatramos coisas que não merecem a divinização que possuem. Adoramos as facilidades apresentadas pela internet, ficamos horas hipnotizados pela televisão, nos reunimos religiosamente a cada 3 meses em frente ao computador para cada novo lançamento daquela empresa de Cupertino. Até que ponto estaríamos fazendo certo em levantar altares para coisas tão simples, em deixar estes fatos tomarem conta do nosso tempo? Ou será que, com nosso estilo de vida frenético e cada vez mais non-stop, adorar essas trivialidades é o que nos resta?

Por coincidência, terminei de ler o livro na mesma semana que perdemos Steve Jobs, o patriarca por trás da Apple. E, pulando as homenagens já feitas para o mestre da inovação, Jobs deixou como herança a seguinte afirmação: A de termos algo para acreditar, independente do que seja. Steve acreditou que poderia tornar a vida das pessoas mais fácil, e de fato conseguiu.

Jobs Criou sua legião de seguidores, que acreditavam em tudo que lhes era apresentado pelas mãos do criador. Uma legião de pessoas que tinham em Steve alguém para ter um ideal por elas; um messias dos tempos modernos. Mas Steve também tinha seus próprios deuses e suas crenças. Todos nós temos, até mesmo nossas próprias divindades. Isso viria a diminui-lo como inspiração para uma geração? Jamais.

Falando em deuses e crenças, a Sony lançou semana passada o filme “Michael” para seu Playstation 3. O filme deixa claro uma coisa: Para adquirirmos tal status divino, basta apertar o power e dar start. Afinal, controlamos vidas digitais a partir de um controle de videogame. E, assim como nossas crenças são etéreas, as de nossos avatares evanesce no momento em que desligamos nossos consoles. É ou não é brincar de Deus?

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