Google Play: A dura concorrência no mercado de conteúdo

Google-Play

Apesar de os holofotes da mídia de tecnologia estarem voltados para o lançamento do novo iPad durante esta semana, outro lançamento da internet promete mudar o jeito como muitas pessoas consomem conteúdo através de diversos gadgets. Trata-se do Google Play, mais nova cartada da empresa de Mountain View no mercado de conteúdo.

Essencialmente, o Google Play não é algo novo, mas sim uma plataforma que unifica serviços de venda de conteúdo por parte do Google. A integração acontece entre os antigos Google Music, Books, Movies e o Android Market, sendo que destes serviços apenas o último está disponível em território nacional.

Mais do que integração em uma única plataforma, o Google Play tem como principal trunfo a utilização da nuvem para espalhar conteúdo por diversos gadgets, desde um smartphone com Android, a uma televisão, devidamente integrada com o Google TV, passando por tablets e chegando aos computadores. Dessa forma, é possível comprar um filme pelo celular e assisti-lo no computador ou na TV, e, caso o usuário queira, ele poderá pausar o filme e terminar de assisti-lo em um tablet sem a necessidade de sincronização entre as plataformas e o conteúdo online. Apps, jogos, livros e músicas também entram na dinâmica. É a preocupação do Google em integrar cada vez mais seus serviços e fortalecer sua participação na distribuição de conteúdos dentro das plataformas em que seu ecossistema está presente.

Mas o Google vai enfrentar concorrência forte por parte de empresas estabelecidas neste ramo. A Microsoft, a partir do Windows 8, trabalha para aumentar sua participação no mercado baseado em conteúdo na nuvem. A empresa iniciou esse movimento através do Skydrive, que já existe desde 2008, mas deve ganhar força com a nova versão do sistema operacional.

A Amazon já possui um serviço semelhante ao proposto pelo Google. O Kindle Fire, tablet assinado pela empresa de Jeff Bezos e que, ironicamente, foi tablet com Android mais vendido em 2011, é um poderoso canal de consumo de conteúdo a um preço acessível, se comparado com outros tablets.

Mas a Amazon carece do ecossistema criado pelo Google através do Google TV e o Android, o que não é problema para a Apple e suas lojas App Store e iTunes. O iTunes é a maior loja de música virtual da atualidade e a App Store conta com uma biblioteca imensa de aplicativos de qualidade. Além disso, há também a recente entrada da empresa no mercado de distribuição editorial com o iBooks. O iCloud possibilita a integração de diversos gadgets da marca através da nuvem, algo semelhante ao que o Google Play propõe. Ou seja, o Google terá uma dura concorrência pela frente.

A grande vantagem do gigante de buscas é o quanto ela conhece seus usuários. A recente mudança das diretrizes de privacidade do Google, aliada à quantidade monstruosa de informações que a empresa acumula, os dados do Google+ e conteúdo consumido na internet, abre a possibilidade para uma comunicação muito mais efetiva. Tudo isso reflete numa propaganda mais direcionada, que amplifica a possibilidade de conversão dentro do Google Play.

Tomemos como exemplo um fã de Sherlock Holmes. Se esta pessoa faz buscas no Google sobre o detetive, posta sobre ele no Google+, e assiste a trailers de seus filmes no YouTube, a empresa pode usar os dados coletados para oferecer a compra dos filmes ou mesmo os livros de Arthur Conan Doyle por meio do Google Play.

Se essa tendência se concretizar, as empresas terão em mãos uma oportunidade de aperfeiçoar a conversão em aplicativos de marca e outros tipos de conteúdo de marca. Da mesma forma que uma história ou personagem podem servir de gatilho para sugestões qualificadas, uma marca também pode. O conteúdo de marca consumido pelos usuários torna-se ainda mais valioso. Se o conteúdo por ela produzido na internet for relevante para diversos usuários, aumentarão as chances de conversão dentro do Google Play.

Assim, a empresa visa atingir outro objetivo: ampliar seu modelo de negócios para além da publicidade, que hoje é responsável por mais de 90% da renda do Google. Para uma empresa deste porte, é arriscado apostar todas as fichas em um único modelo lucrativo, e a venda de conteúdo pode ser uma alternativa viável. Vale lembrar que o Google é o segundo site mais acessado do mundo (foi ultrapassado recentemente pelo Facebook), possui milhões de contas no Gmail, tem o Google+ prestes a bater a barreira de 100 milhões de membros e aproximadamente 850 mil smartphones com Android ativados por dia. Ou seja, o ecossistema existe e o mercado está aberto.

Infelizmente essa mudança pouco afeta o Brasil, que ainda carece de grandes serviços oferecidos pela Google no exterior, como, por exemplo, o Google Voice, serviço de telefonia via internet. Por enquanto, os usuários brasileiros de Android terão acesso apenas ao setor de apps e games, algo que já era disponível em território nacional via Android Market. Por enquanto, nos resta observar o impacto dessa mudança no mercado exterior, e aguardar a mudança em terras tupiniquins.

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