Instagram, Android, e discussões infundadas

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Dia 3 de abril foi histórico e deve ser comemorado por muitos dos mais de 250 milhões de usuários de Android pelo mundo. A data marcou a aterrissagem do Instagram para o sistema do robô verde, antes exclusivo para usuários de iPhone.

O lançamento, pode-se dizer, foi um sucesso estrondoso: cerca de 2 mil novos usuários cadastrados a cada minuto, o que rendeu ao Instagram algo em torno 3 milhões de novos membros em menos de 24 horas, ou seja, 10% de toda base conquistada ao longo de um ano e meio de exclusividade no iPhone. Com números tão impressionantes (e a estimativa de dobrar o número de usuários, hoje na casa dos 30 milhões, nos próximos dias), não deveria haver motivos para reclamar, certo?

Pois bem, não é o que se viu nas redes sociais no dia do lançamento do aplicativo. Enquanto muitos usuários deram as boas-vindas aos novos colegas de brincadeira, alguns dos fotógrafos mais do que profissionais que empunham com orgulho seus iPhones para tirar fotos com filtros hipster mostraram verdadeira revolta pela expansão da rede social. O termo “orkutização do Instagram” foi um dos mais citados pelos revoltosos, dado o baixo preço de alguns aparelhos com Android (portanto, seus donos, teoricamente, não são tão bons “fotógrafos” quanto os incríveis artistas de iPhone), ou mesmo pela perda da exclusividade da rede social.

Claro que muitos dos comentários foram brincadeiras (algumas muito divertidas, diga-se de passagem!), mas muitos realmente levantaram a bandeira contra a invasão dos robôs verdes. Houve aqueles que, inclusive, saíram da rede para não se deparar com as fotos tiradas via Android. Atitude mais do que exagerada.

Falar que uma pessoa é melhor que a outra por conta do celular utilizado por ela é uma besteira sem tamanho. Um aparelho não define se uma pessoa é melhor “fotógrafa” do que a outra, muito menos quanto se gastou nele. Vale lembrar que, no Brasil, apenas 5% dos smartphones ultrapassam a barreira dos mil reais, sendo que o iPhone 3GS está nessa porcentagem. Isso classifica grande parte dos usuários do aparelho da Apple dentro de sua própria crítica. E conheço pessoas que arrancam imagens fantásticas em um iPhone 3GS (Digo mais: posso garantir que estas pessoas não aprenderam a fotografar da noite para o dia apenas por ter um iPhone).

Ah, mas existe a questão do equipamento, a qualidade da câmera… Certo, é possível comparar a câmera fantástica do Samsung Galaxy SII com a do iPhone 3GS? Não desmerecendo a câmera da Apple, mas a do Galaxy é incrivelmente superior. E o que dizer das lentes poderosas do iPhone 4S? Tantos usuários que “não honram” o aparelho em suas mãos.

Claro que seria muita ingenuidade afirmar que smartphones com câmera muito inferiores às citadas são capazes de fotos tão boas. Mas, para a sorte da comunidade hipster, o Instagram é uma empresa que toma todos os cuidados para que não existam imperfeições dentro da rede. Para garantir a qualidade da maioria das fotos, muitos aparelhos não possuem acesso ao aplicativo por dois motivos.

O primeiro é a incompatibilidade de sistema. Para rodar o Instagram, o aparelho deve, no mínimo, estar com a versão 2.2 do Android instalada, o que inibe a utilização de aparelhos mais antigos e, portanto, com câmeras inferiores. Outro fator é a incompatibilidade com aparelhos que não suportam a OpenGL ES 2. Sem esse suporte, o aplicativo não pode ser renderizado, não podendo, portanto, ser executado.

Claro que essas limitações excluem alguns aparelhos mais antigos, mas que fique claro que não excluem os usuários. Não é o fato de uma pessoa não poder pagar mais de 2 mil reais em um celular que define se suas fotos são boas ou não. Definir uma pessoa a partir de um sistema operacional é algo completamente irracional. E, vamos combinar, a premissa do Instagram nunca foi ser um banco de imagens profissional, mas sim um banco de momentos, sentimentos e inspirações. Não é um celular que define o quão inspiradora uma pessoa pode ser.

Existem fotógrafos no Instagram, mas sabemos que estes não são a maioria, assim como existem jornalistas e escritores incríveis no Twitter, e nós sabemos bem quais são os assuntos que chegam nos Trending Topics. A questão é se libertar desses preconceitos bestas e brigas infundadas. O negócio é aproveitar a brincadeira.

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