“Cloud Atlas”: erros e acertos ao longo de gerações e encarnações

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Acho que Deuses Americanos acabou de ser desbancado do topo da minha lista de “livros mais incríveis que já li” por essa obra concebida por David Mitchell. Um livro para a vida, e que me fará nunca mais olhar para as nuvens com os mesmos olhos.

Nunca um livro me incomodou ou me fez refletir tanto sobre sua história. Ou melhor, suas seis histórias, e os detalhes sutis que as conectam. Quão importante é um ato realizado no passado? Como uma gota d’água despejada por uma pessoa no século XIX tornar-se-á uma tempestade que causará a destruição da humanidade? Quantas vezes devemos errar e acertar as mesmas coisas, por toda a eternidade? Quão efêmera é a vida?

Acabei me fazendo essas e tantas outras perguntas enquanto lia este livro, ao mesmo tempo que tentava solucionar o quebra-cabeças por trás das histórias, narradas em situações, épocas, formas e por pessoas completamente diferentes. Ou talvez não, talvez estejamos falando da mesma pessoa por toda a história, desvendando seus mistérios e nos envolvendo por diversas de suas encarnações. Ou talvez… Não é possível ter certeza. Quando acreditamos ter entendido a trama, somos jogados para um lado totalmente diferente, arremessados contra a parede, abandonados pela nossa própria incapacidade de entendermos nossas próprias vidas.

Os detalhes permeiam a obra como um todo. As personagens insistem em erros cometidos no passado, desencadeiam ações futuras, enxergam os laços… Mas podem ou não interferir o mundo à sua volta a partir deste karma. As coisas ganham significados diferentes, as pessoas mudam, os pensamentos, as palavras… Porém, o ciclo da vida continua, ad infinitum, como nossas emoções. Como as nuvens no céu.

O mais fascinante disto tudo? Passei o livro inteiro procurando conexões complexas entre as eras narradas, entre as personagens descritas… Para, no fim, concluir que a vida não precisa ser tão complexa. Somos movidos por um senso individual, porém fazemos parte de um todo, de uma História. Acho que a mensagem por trás de Cloud Atlas é justamente essa: assim como uma música ou um livro podem ter um significado muito específico para cada um que os consome, a vida também muda de sentido de pessoa para pessoa. Basta que nós, meros mortais, encontremos o que nos motiva a acordar todos os dias, um eco a ser ouvido por todo o infinito, e tomemos isto como verdade a ser levada para sempre. Parece complexo, mas é muito mais simples do que realmente deve ser. E, talvez, esta simplicidade é o que nos amedronta a seguir em frente.

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