Arquivo da categoria: Misc

Carta para 2012

‎2012,
Precisamos conversar.

Sabe, é complicado falar isso… Mas acho melhor nós terminarmos tudo. O problema sou eu, não você.

Bom, na verdade… Você também tem culpa.

Sério, eu não consigo lembrar de um ano que me maltratou tanto quanto você. Sim, 2008 também foi cruel… Mas vamos falar de você.

Com você, eu apanhei bastante. Foram inúmeras as desilusões, os arrependimentos, as descrenças e os choques de realidade. E o mais curioso é que, quando a gente começava a se entender, você aprontava mais uma. E, assim, nosso relacionamento foi se arrastando.

Mas, sabe de uma coisa? Apesar de tudo, você foi importante. Você me ajudou a aprender lições importantes em cada porrada. Assim, a seguinte era mais suportável, e acho que sou um cara muito mais preparado para enfrentar os problemas dos meus próximos relacionamentos com o tempo.

As desilusões também me orientaram. Quantas não foram as vezes que me peguei olhando para o teto e pensando “meu deus, é isso mesmo que eu quero da minha vida? Viver com alguém como 2012?”. Às vezes, a resposta era positiva. Outras, eu precisei repensar os rumos que eu quero seguir, o sentido que quero dar para minha vida.

Isso sem contar os momentos felizes. Graças a você, reencontrei pessoas que eu adoro demais, algumas que eu nunca deveria ter deixado me afastar. Foram viagens, rolês, rodas de bar… E teve os títulos do Coringão que vimos juntos, né?

Por isso eu te agradeço. Mas está na hora de seguir e frente.

Sim, eu não conheço 2013… Mas ela me dá esperança, sabe? Acho que as últimas alegrias que você me proporcionou nesse fim me fizeram olhar para 2013 com bons olhos, e acho que nosso relacionamento tem tudo para ser incrível.

Mas eu nunca vou te esquecer. Você pode ter certeza disso. Sempre haverá um espacinho no meu coração para essa nossa paixão tão atribulada.

Muito obrigado, 2012.

Etiquetado , , ,

Minha vida, minha história, meu amor

532632_3539721671124_1995405026_n

Eu sempre gostei de futebol.

Desde pivete, eu achava o máximo assistir aos jogos. Não importava o time, eu gostava de ver aqueles 22 jogadores correndo atrás da bola, chutando-a de um lado para o outro, comemorando os gols… Coisa de criança, e também uma paixão herdada pelo meu avô e meus tios, talvez.

Mas, na época, eu torcia para o Brasil. Comemorei o treta sem saber o que aquilo significava. Não tinha um clube ainda, torcia para o uniforme mais legal ganhar. E por um desses motivos triviais da vida acabei me descobrindo corintiano. Achava o nome Corinthians um nome divertido, era complicado e grande. Bem mais tarde eu saberia que a origem bretã do clube é que faria eu ser mais um dentro do bando de loucos.

Não vi o primeiro título nacional, mas vi o time incrível de 98 e 99, de nomes como Edilson, Vampeta, Rincón e Gamarra. E, claro, nosso Pé-de-Anjo. Eu lembro de acordar cedinho para ir para a escola e levar o caderno de esportes do jornal embaixo do braço, só para saber as novidades do Timão. Isso com 9 anos de idade.

Vi também essa geração levantar a taça do Mundial de Clubes em 2000, não importando se foi uma fantasia, um campeonato de verão ou qualquer coisa. Para aquele pivete, aquele título foi a coisa mais importante da vida. Ver o Corinthians jogar era uma emoção, um momento que valia a pena parar para admirar.

O tempo passou, aquele time lendário se desmanchou… Mas a “corintiabilidade” continuava em mim. Acompanhei o rebaixamento… Ah, o rebaixamento… A melhor coisa que aconteceu com o Corinthians na última década. Os títulos de 2005 e 2011, os Paulistas, as Copas do Brasil, Ronaldo… E a Libertadores, o título que mais tempo ficou engasgado na minha garganta, talvez um dos momentos mais felizes dessa minha história com o Timão.

Até hoje.

Soltar o grito de “É Campeão” do mundo é incrível. Hoje, por um momento, aquele garoto de 10 anos, que assistiu à final do Mundial com a cara colada na televisão por conta dos primeiros sinais de miopia, voltou à vida. Hoje, voltei a ser um pivete torcendo pelo time do coração. Hoje, o Corinthians apagou todos os problemas do mundo. Hoje, fomos campeões. E essa paixão não só vale quando conquistamos títulos, mas a todos os momentos. Se não dedico minha vida ao Timão, posso dizer que ele é elemento básico para minha sobrevivência, algo que faz a vida ficar muito mais divertida, e me ajuda a contar minha história.

Minha vida.
Minha história.
Meu amor.
Vai, Corinthians!

Etiquetado , , ,

Sobre Neil Gaiman, Steve Jobs e Playstation

Antes de mais nada, este não é mais um post em homenagem a Steve Jobs.

Terminei de ler nesta semana um dos melhores livros que já passaram pelas minhas mãos (e acredite quando eu digo que não foram poucos): Deuses Americanos (American Gods, em inglês), história sensacional narrada pelo mestre por trás de Sandman, Neil Gaiman.

No livro, Gaiman faz a pergunta de um milhão de dólares: No que realmente acreditamos? Até que ponto iríamos por algo que acreditamos ser a verdade absoluta? Na verdade, Neil toca num ponto sensível da humanidade, e que, muitas vezes, custamos a acreditar: Nossos deuses são etéreos, se transmutando a cada novidade que nos é apresentada. Em instantes nossas verdades já não são mais as mesmas, nossos sistemas não funcionam, nossos gadgets são ultrapassados, nossas vidas se tornam tediosas.

Mais do que isso, Gaiman nos mostra como idolatramos coisas que não merecem a divinização que possuem. Adoramos as facilidades apresentadas pela internet, ficamos horas hipnotizados pela televisão, nos reunimos religiosamente a cada 3 meses em frente ao computador para cada novo lançamento daquela empresa de Cupertino. Até que ponto estaríamos fazendo certo em levantar altares para coisas tão simples, em deixar estes fatos tomarem conta do nosso tempo? Ou será que, com nosso estilo de vida frenético e cada vez mais non-stop, adorar essas trivialidades é o que nos resta?

Por coincidência, terminei de ler o livro na mesma semana que perdemos Steve Jobs, o patriarca por trás da Apple. E, pulando as homenagens já feitas para o mestre da inovação, Jobs deixou como herança a seguinte afirmação: A de termos algo para acreditar, independente do que seja. Steve acreditou que poderia tornar a vida das pessoas mais fácil, e de fato conseguiu.

Jobs Criou sua legião de seguidores, que acreditavam em tudo que lhes era apresentado pelas mãos do criador. Uma legião de pessoas que tinham em Steve alguém para ter um ideal por elas; um messias dos tempos modernos. Mas Steve também tinha seus próprios deuses e suas crenças. Todos nós temos, até mesmo nossas próprias divindades. Isso viria a diminui-lo como inspiração para uma geração? Jamais.

Falando em deuses e crenças, a Sony lançou semana passada o filme “Michael” para seu Playstation 3. O filme deixa claro uma coisa: Para adquirirmos tal status divino, basta apertar o power e dar start. Afinal, controlamos vidas digitais a partir de um controle de videogame. E, assim como nossas crenças são etéreas, as de nossos avatares evanesce no momento em que desligamos nossos consoles. É ou não é brincar de Deus?

Etiquetado , , ,