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Contra tudo e contra todos, The Strokes consegue, mais uma vez, reinventar o rock

Eu fui uma das pessoas que, lá atrás, em 2001, ficou embasbacado com as guitarras arranhadas e o clipe ao vivo de Last Nite. Após a morte do rock nos anos 90, sepultado junto com Kurt Cobain e seu Nirvana, muitos consideraram o estilo morto, entregue às mãos de uma ou outra banda underground e à nova onda de bandas de Metal que pipocavam pelo mundo.

E então veio o Strokes, e nos ensinou de novo como fazer rock como ele deve ser feito.

A princípio, a banda não trouxe nada de revolucionário, sendo nada mais do que uma releitura do rock dos anos 60 e 70. Mas isso foi o suficiente para Julian Casablancas e sua turma ditarem como se faria música nos próximos 10 anos. O Strokes ressucitou o rock e o trouxe de volta para o mainstream, trazendo consigo uma horda de bandas novas, como Franz Ferdinand, Artic Monkeys e Kaiser Chiefs, para citar algumas poucas.

Eis que a banda, em 2006, lança seu terceiro e último álbum, First Impressions of Earth, e deixa uma geração inteira órfã de novidades.

Por 5 anos.

Eis que hoje, dia 22 de março de 2011, chega às lojas Angles, o primeiro álbum em 5 anos do Strokes. O CD completo já havia vazado na internet semana passada, e eu, como péssimo fã, não fazia a menor ideia disso. Vendo o nome do álbum nos Trending Topics Worldwide senti que algo acontecia na twittosfera. Entrei de curioso e, veja só, o CD inteiro para download!

Como disse, o Strokes em momento algum foi revolucionário. E não é desta vez que eles conseguiram desmontar a música e jogar algo completamente inovador em nossos ouvidos. Mas a beleza de Angles, assim como o de outros álbuns do grupo, são as referências. A banda sabia que precisava se reinventar para mostrar a que veio. E eles buscaram nos anos 80 a inspiração para o som dessa nova década.

Angles respira nos ares que Queen, Smiths e The Cure buscaram suas inspirações. O som ecoado de algumas músicas, as batidas eletrônicas, a bateria quase que mesmérica… As referências são claras. Mas o Strokes não pára por aí, e ainda agrega suas guitarras agudas e que praticamente cantam sozinhas ao tom de voz paradoxalmente deprimente e contagiante de Julian Casablancas. Enfim, é a reinvenção da banda. Isso fica evidente em músicas como Taken for a Fool, uma das mais empolgantes de Angles.

Para os fãs mais xiitas, sobra Under Cover of Darkness, primeiro single do álbum. O som é, talvez, o mais semelhante aos velhos tempos de Room on Fire, segundo álbum da banda. Nela, Julian declara sua revolta pelo que ele mesmo criou: “People’s been singing the same song for ten years”, fazendo clara referência ao cenário musical que eles próprios criaram.

Agora, será que Angles terá o mesmo peso para o rock que teve Is This It, primeiro álbum da banda? Difícil dizer. Assim como o primeiro álbum, o novo CD é ousado, mas será que o suficiente para ditar como música deve ser feita daqui para frente? O grupo já declarou que um álbum novo está a caminho ainda este ano, seria esse um sinal de que Angles só preparou terreno para algo ainda maior?

Acho que teremos de esperar um pouco para essas perguntas serem respondidas, mas não podemos duvidar da genialidade do quinteto novaiorquino. Por ora, #recomendo o álbum, e deixo você com o clipe de Under Cover of Darkness.

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