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Google Glass: O próximo passo dos gadgets inteligentes

Eu, de verdade, acredito que o Google Glass (ou a fórmula que permeia a parafernália) é o próximo passo além dos smartphones. Vendo esse vídeo que ilustra a interface sonora dos óculos e como ela é, na teoria, fácil de utilizar, não tem como pensar de outra maneira.

Na verdade, eu penso em alguns pontos. Se o óculos for mais como um assistente pessoal, do tipo que Siri e Google Now tentam ser, o Glass é lindo. Tirar fotos e gravar vídeos é lindo, simples e prático. Buscar coisas rápidas, utilizar mapas de maneira instantânea, compartilhar momentos… É tudo o que um smartphone já faz, mas de uma maneira rápida e quase instantânea.

O que me leva a pensar: Será que isso não só alimenta mais a cultura do imediatismo? Será que dando esse novo passo não estamos cultuando ainda mais o compartilhamento de bons momentos em detrimento de realmente aproveitá-los (uma das maiores críticas que é feita ao boom dos smartphones)?

Além disso, o Google não deixa claro como notificações funcionarão com o gadget. Na minha humilde opinião, notificações ficam no bolso para quando eu quiser vê-las, não na minha cara, a todo momento. Duvido que esta seja a tendência, mas é a minha torcida. E, de qualquer maneira, deverá ser possível desligá-las. Caso contrário, ficaremos ainda mais escravizados pelas nossas próprias notificações! Depois da minha experiência sem celular, a primeira coisa que fiz foi desligar as notificações de 80% dos meus aplicativos. E, de verdade, eu jamais voltaria atrás.

Outro ponto importante que eu considero é a dualidade entre estética e praticidade. O Google não é exatamente conhecido por priorizar a primeira. Ao invés disso, prefere implementar um sistema e aprimorar o design ao longo do tempo. O famoso permanente estado de Beta. Entretanto, estamos falando de algo que ficará no rosto das pessoas. E algo feio. Para a tecnologia efetivamente se tornar realidade, acredito que essa questão é uma das inúmeras a serem consideradas. Estamos falando de seres humanos em uma sociedade que, sim, se importa com estética. Vale lembrar que o Android só passou a ser massivamente “amado” e chamado de um “sistema completo” após a reformulação visual pelo qual o sistema passou na versão 4.0. Acredito que o Glass deve seguir o mesmo caminho.

Enfim, mantenho a opinião constatada lá em cima: essa é uma tecnologia que eu acredito, que eu apostaria meu dinheiro para daqui dois ou três anos. Talvez não pelas mãos do Google, sendo um sistema aberto como o próprio Android, por exemplo. Mas acredito que o Glass pode fazer parte do futuro dos nossos gadgets 🙂

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Como foi ficar uma semana sem smartphone

Que estamos cada vez mais reféns de nossos smartphones não é novidade. Afinal, mantemos todos nossos emails, redes sociais, tarefas, e toneladas e toneladas de apps e informações pessoas neles. Mais do que a dependência, o smartphone vem roubando nossa atenção e competindo com o “mundo real”, fazendo com que ignoremos pessoas e deixemos de fazer uma coisinha ou outra para ficar vidrados em suas brilhantes tela touch.

Eu, assumidamente, sou viciado no meu Galaxy SII. Acordo, tomo banho, e, enquanto me arrumo para o trabalho, checo emails, Facebook, Instagram, e ainda baixo algum podcast para ouvir na minha caminhada diária. Também fico jogando Tripletown como se não houvesse amanhã no caminho de casa, além de me estatelar no sofá e passar o resto da noite curtindo fotos e twittando coisas sem sentido.

Sexta-feira passada resolvi fazer um experimento. A partir de uma discussão com o pessoal aqui da agência e diversos artigos que li por aí, percebi o quanto poderia estar perdendo por ficar vidrado tanto tempo no celular. Partindo desse raciocínio, pensei: Como será ter um smartphone e se desconectar totalmente dele? Como seria ter um telefone “comum” novamente?

Topei o desafio de fazer o experimento por uma semana (sim, é muito pouco. Mas eu ainda tenho outros apps mais úteis do que o aplicativo do Facebook e que quebram um galho em algumas situações). Por uma semana, meu celular seria um dumbphone, ou seja, só receberia e faria ligações e mandaria mensagens. Nada de wifi. Nada de 3G. Abri apenas duas pequenas exceções para a regra: Meu despertador (afinal, alguém precisa trabalhar aqui, né!) e meu aplicativo de controle financeiro, já que as coisas não andam tão bem assim!

Desconectei na sexta-feira mesmo, e posso dizer que foi um certo sentimento de alívio e liberdade (engraçado isso). Eis algumas das minhas considerações sobre a experiência:

O aparelho

Sim, continuei com o Galaxy. Bloqueei todos os apps com uma homescreen personalizada (Para este experimento utilizei a Holo Launcher HD – Aliás, #recomendo) e coloquei os aplicativos que usaria durante a semana no dock principal. Bloqueei a área de trabalho para não cair em tentação. Funcionou 🙂

A diferença mais clara com relação ao aparelho em si é a duração absurda da bateria: Em média, ao final de um dia de trabalho ela ainda estava nos 87%. Ou seja, não dá para culpar taaaanto assim a tela do celular por drenar a carga. Claro, sem os apps você o usa muito menos, mas achei que a diferença seria maior. Cheguei ao ponto de deixá-lo um dia inteiro sem carga, fui dormir e o deixei com a tela ligada durante a noite inteira (eu o uso como rádio relógio). No dia seguinte ainda tinha cerca de 30% de bateria, ou seja, o aparelho ainda aguentaria mais 2 dias de combate. Ponto para a bateria da Samsung aqui.

Sentimento de vazio

A rotina nos prega peças engraçadas. Eu tenho alguns problemas com minha câmera, uma vez que tiro foto de TUDO que vejo pela frente. Ok, não tudo… Mas de tudo o que eu acho legal por aí. E, claro, compartilho no Instagram. Várias vezes me peguei olhando algo muito legal e pensava “Cara, preciso tirar uma foto disso… Oh, wait…”. Nessas horas você percebe o quão patético é querer tirar foto de tudo. Com o tempo você se acostuma, mas diversas vezes desejei ter uma câmera à mão.

Também posso dizer que é oficial: pegar fila é um saco. Antes você simplesmente sacava o celular do bolso, dava uma olhadinha no Instagram, uma manchete ou outra no Flipboard, jogava uma partida de Tripletown… Não quando você está sem celular. Sabem com o que eu me divertia? Com a barra de rolagem do Android, que brilha quando chega no fundo. E com o easter egg dos Nyan Androids. Sim, é deprimente, eu sei.

Senti bastante falta também de ouvir música, mas esse tem seu lado bom: Aprendi que fico muito mais focado em um livro quando não estou ouvindo nada, só o som do metrô ou uma conversa aleatória ou outra. Não sei explicar o porquê, mas acontece. Outra fato engraçado sobre a música é como você percebe que está se excluindo do mundo exterior colocando os fones de ouvido. Enquanto esperava meu fretado (atrasado) na sexta-feira, acabei fazendo amizade com pessoas que pegam o mesmo ônibus que eu. Isso nunca tinha acontecido comigo, muito em parte, talvez, pelo bloqueio que o fone de ouvido causa.

Desconexão

Mas, claro, ficar sem celular tem seu lado bom. Ótimo, na verdade. Por alguns dias fiquei livre das notificações pentelhas do Facebook e dos trocentos spams do Peixe Urbano. “Mas, Danilo, é só desativar as notificações push!”. Sim, eu sei. Mas eu não acho tão prático assim, e as deixo por puro comodismo. Ficar sem elas me fez repensar essa situação. A ausência de notificações me fez perder um pouco da “síndrome do vibra fantasma”. Quando eu sentia o celular vibrar, é porque ele realmente estava tocando. Sem paranoia, sem fantasmas vibrando no meu bolso.

Porém, o mais legal é não se preocupar mais com o Facebook e Twitter. Antes meras distrações, ambos passaram a tomar grande parte da minha atenção, o que chegou a diminuir o quanto conversava com meus pais quando chegava em casa, por exemplo. Durante a maioria dos dias desta semana cheguei em casa e conversei bastante com a minha mãe ao invés de me jogar no sofá e abrir o Facebook ou o Instagram.

Eu falei em vazio?

Falar que minha produtividade aumentou absurdamente nessa última semana é pouco.

Ao invés de ficar pendurado no celular o dia inteiro, passei a ocupar esse tempo lendo. E como já gosto pouco de ler, não reclamei muito. No período sem smartphone terminei 2 dos 3 livros que estava lendo haviam pelo menos 2 semanas. Acho que nunca li tanto em uma única semana! Falando em leitura,  outra ferramenta que não pude contar por um tempo foi o Pocket, mas consegui ler um texto ou outro pelo webapp de Chrome mesmo. Ou seja, deixei de ler matérias muitas vezes triviais pela internet para ler meus livros. Acredito que tenha sido uma boa troca.

Também ocupei melhor meu tempo vazio durante a semana, antes preenchido por joguinhos e Facebook. Durante o fim de semana dei uma bela volta pelo bairro com a minha irmã para comprar algumas coisas (leia-se cerveja – que não pôde ser postada no instagram, por sinal), transformei a cabeceira da minha cama no meu canto de leitura, organizei meus livros e DVDs, estudei algumas apresentações no Slideshare… isso só para contar o fim de semana. Durante a semana estudei mais ainda, montei estratégias de Magic, meu hobby, li mais… Pode parecer pouco, mas é bastante para quem está acostumado a se jogar no sofá logo ao chegar em casa, não?

Sim, o Evernote, o Astrid e o Google Calendars fizeram uma falta absurda e suas ausências me fizeram esquecer algumas coisas durante a semana, mas nada muito sério. Isso só comprova que depender de nossos smartphones pode acabar prejudicando parcialmente nosso senso de memória, e que precisamos adotar processos para lembrar de algumas coisinhas (eu escrevo meus jobs da agência em post-its e colo na parede, por exemplo).

Dá para tirar uma conclusão do experimento?

Com certeza.

Dá para mudar aquele discurso que todos nós temos de que “aaah, eu não vivo sem meu smartphone!!!”. Vive sim, cara. E vive bem. Vivemos tantos séculos sem inúmeros outros recursos de tecnologia, por que não sem smartphones? Além do mais, muitas vezes nossos telefones são extensões de nossos computadores, o que reduz drasticamente a dependência pela ferramenta (ok, não podemos dizer tanto isso dos computadores).

Mais do que isso, precisamos aprender que, como todo vício, um smartphone pode fazer mal. Não digo em nossas saúdes, mas em nosso tempo, o que pode ser muito pior! Reclamamos muito que não temos tempo para fazer as coisas, mas quanto tempo passamos na frente do celular ou no Facebook? Um dia desses o Cris Dias, que me deixa no chinelo em número de lidos por ano (e eu não leio pouco), postou que as pessoas que reclamam que não conseguem ler uma quantidade razoável de livros são as mesmas que passam o dia no Facebook. E quer saber? É verdade!

Estou neste momento “ressuscitando” meu celular (Minha câmera! Meus jogos! Instagram!), mas confesso que essa semana foi de reflexão profunda sobre como devo utilizá-lo daqui para frente. Espero que essa experiência como um todo tenha algum efeito para mim a partir de hoje, e que eu possa ter uma relação muito mais amorosa com meu Galaxy do que obsessiva, como vinha sendo.

E você? Que tal fazer o teste também? Eu recomendo, faz um bem danado 🙂

Imagens tiradas do Flickr

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Google Play: A dura concorrência no mercado de conteúdo

Google-Play

Apesar de os holofotes da mídia de tecnologia estarem voltados para o lançamento do novo iPad durante esta semana, outro lançamento da internet promete mudar o jeito como muitas pessoas consomem conteúdo através de diversos gadgets. Trata-se do Google Play, mais nova cartada da empresa de Mountain View no mercado de conteúdo.

Essencialmente, o Google Play não é algo novo, mas sim uma plataforma que unifica serviços de venda de conteúdo por parte do Google. A integração acontece entre os antigos Google Music, Books, Movies e o Android Market, sendo que destes serviços apenas o último está disponível em território nacional.

Mais do que integração em uma única plataforma, o Google Play tem como principal trunfo a utilização da nuvem para espalhar conteúdo por diversos gadgets, desde um smartphone com Android, a uma televisão, devidamente integrada com o Google TV, passando por tablets e chegando aos computadores. Dessa forma, é possível comprar um filme pelo celular e assisti-lo no computador ou na TV, e, caso o usuário queira, ele poderá pausar o filme e terminar de assisti-lo em um tablet sem a necessidade de sincronização entre as plataformas e o conteúdo online. Apps, jogos, livros e músicas também entram na dinâmica. É a preocupação do Google em integrar cada vez mais seus serviços e fortalecer sua participação na distribuição de conteúdos dentro das plataformas em que seu ecossistema está presente.

Mas o Google vai enfrentar concorrência forte por parte de empresas estabelecidas neste ramo. A Microsoft, a partir do Windows 8, trabalha para aumentar sua participação no mercado baseado em conteúdo na nuvem. A empresa iniciou esse movimento através do Skydrive, que já existe desde 2008, mas deve ganhar força com a nova versão do sistema operacional.

A Amazon já possui um serviço semelhante ao proposto pelo Google. O Kindle Fire, tablet assinado pela empresa de Jeff Bezos e que, ironicamente, foi tablet com Android mais vendido em 2011, é um poderoso canal de consumo de conteúdo a um preço acessível, se comparado com outros tablets.

Mas a Amazon carece do ecossistema criado pelo Google através do Google TV e o Android, o que não é problema para a Apple e suas lojas App Store e iTunes. O iTunes é a maior loja de música virtual da atualidade e a App Store conta com uma biblioteca imensa de aplicativos de qualidade. Além disso, há também a recente entrada da empresa no mercado de distribuição editorial com o iBooks. O iCloud possibilita a integração de diversos gadgets da marca através da nuvem, algo semelhante ao que o Google Play propõe. Ou seja, o Google terá uma dura concorrência pela frente.

A grande vantagem do gigante de buscas é o quanto ela conhece seus usuários. A recente mudança das diretrizes de privacidade do Google, aliada à quantidade monstruosa de informações que a empresa acumula, os dados do Google+ e conteúdo consumido na internet, abre a possibilidade para uma comunicação muito mais efetiva. Tudo isso reflete numa propaganda mais direcionada, que amplifica a possibilidade de conversão dentro do Google Play.

Tomemos como exemplo um fã de Sherlock Holmes. Se esta pessoa faz buscas no Google sobre o detetive, posta sobre ele no Google+, e assiste a trailers de seus filmes no YouTube, a empresa pode usar os dados coletados para oferecer a compra dos filmes ou mesmo os livros de Arthur Conan Doyle por meio do Google Play.

Se essa tendência se concretizar, as empresas terão em mãos uma oportunidade de aperfeiçoar a conversão em aplicativos de marca e outros tipos de conteúdo de marca. Da mesma forma que uma história ou personagem podem servir de gatilho para sugestões qualificadas, uma marca também pode. O conteúdo de marca consumido pelos usuários torna-se ainda mais valioso. Se o conteúdo por ela produzido na internet for relevante para diversos usuários, aumentarão as chances de conversão dentro do Google Play.

Assim, a empresa visa atingir outro objetivo: ampliar seu modelo de negócios para além da publicidade, que hoje é responsável por mais de 90% da renda do Google. Para uma empresa deste porte, é arriscado apostar todas as fichas em um único modelo lucrativo, e a venda de conteúdo pode ser uma alternativa viável. Vale lembrar que o Google é o segundo site mais acessado do mundo (foi ultrapassado recentemente pelo Facebook), possui milhões de contas no Gmail, tem o Google+ prestes a bater a barreira de 100 milhões de membros e aproximadamente 850 mil smartphones com Android ativados por dia. Ou seja, o ecossistema existe e o mercado está aberto.

Infelizmente essa mudança pouco afeta o Brasil, que ainda carece de grandes serviços oferecidos pela Google no exterior, como, por exemplo, o Google Voice, serviço de telefonia via internet. Por enquanto, os usuários brasileiros de Android terão acesso apenas ao setor de apps e games, algo que já era disponível em território nacional via Android Market. Por enquanto, nos resta observar o impacto dessa mudança no mercado exterior, e aguardar a mudança em terras tupiniquins.

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