Minha vida, minha história, meu amor

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Eu sempre gostei de futebol.

Desde pivete, eu achava o máximo assistir aos jogos. Não importava o time, eu gostava de ver aqueles 22 jogadores correndo atrás da bola, chutando-a de um lado para o outro, comemorando os gols… Coisa de criança, e também uma paixão herdada pelo meu avô e meus tios, talvez.

Mas, na época, eu torcia para o Brasil. Comemorei o treta sem saber o que aquilo significava. Não tinha um clube ainda, torcia para o uniforme mais legal ganhar. E por um desses motivos triviais da vida acabei me descobrindo corintiano. Achava o nome Corinthians um nome divertido, era complicado e grande. Bem mais tarde eu saberia que a origem bretã do clube é que faria eu ser mais um dentro do bando de loucos.

Não vi o primeiro título nacional, mas vi o time incrível de 98 e 99, de nomes como Edilson, Vampeta, Rincón e Gamarra. E, claro, nosso Pé-de-Anjo. Eu lembro de acordar cedinho para ir para a escola e levar o caderno de esportes do jornal embaixo do braço, só para saber as novidades do Timão. Isso com 9 anos de idade.

Vi também essa geração levantar a taça do Mundial de Clubes em 2000, não importando se foi uma fantasia, um campeonato de verão ou qualquer coisa. Para aquele pivete, aquele título foi a coisa mais importante da vida. Ver o Corinthians jogar era uma emoção, um momento que valia a pena parar para admirar.

O tempo passou, aquele time lendário se desmanchou… Mas a “corintiabilidade” continuava em mim. Acompanhei o rebaixamento… Ah, o rebaixamento… A melhor coisa que aconteceu com o Corinthians na última década. Os títulos de 2005 e 2011, os Paulistas, as Copas do Brasil, Ronaldo… E a Libertadores, o título que mais tempo ficou engasgado na minha garganta, talvez um dos momentos mais felizes dessa minha história com o Timão.

Até hoje.

Soltar o grito de “É Campeão” do mundo é incrível. Hoje, por um momento, aquele garoto de 10 anos, que assistiu à final do Mundial com a cara colada na televisão por conta dos primeiros sinais de miopia, voltou à vida. Hoje, voltei a ser um pivete torcendo pelo time do coração. Hoje, o Corinthians apagou todos os problemas do mundo. Hoje, fomos campeões. E essa paixão não só vale quando conquistamos títulos, mas a todos os momentos. Se não dedico minha vida ao Timão, posso dizer que ele é elemento básico para minha sobrevivência, algo que faz a vida ficar muito mais divertida, e me ajuda a contar minha história.

Minha vida.
Minha história.
Meu amor.
Vai, Corinthians!

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“à espera de um milagre”: Obrigado, Stephen King

Eu sempre falo que falta fantasia na vida das pessoas. O “mundo real” é duro demais, frio, rotineiro… Somos carentes por uma desconexão desse mundo, por deixar nossas mentes viajarem por alguns instantes, não importando o meio. Pode ser a partir de um filme, um jogo com uma história incrível, ou o caminho mais tradicional (e meu modo favorito): abrindo um livro.

Nessa arte de desconexão, Stephen King é um mestre. Um dos maiores dos nossos tempos, se me permitem dizer. Poucos conhecem tão bem as emoções humanas quanto King. O título de “mestre do terror” se dá justamente pela perfeição com que aborda os sentimentos, como consegue causar calafrios até nos mais corajosos leitores ao saber não o que causa o medo, mas sim a essência do próprio em nossas mentes.

Em “À Espera de um Milagre”, pude ver que Stephen King domina, além do medo, a emoção como um todo. Não tem como não se sensibilizar com a ingenuidade de John Coffey (Igual ao que se toma com leite, mas se escreve de outra maneira), com a narrativa profunda e introspectiva de Paul Edgecombe, com a insanidade covarde de Wild Bill, Percy Wetmore e Brad Nolan… As personagens são genuínas, você realmente acredita na história que está sendo contada, por mais absurda que ela possa parecer.

Mais do que isso, King humaniza seres que deveríamos sentir ódio mortal, que são os condenados à morte pelas piores atrocidades aos nossos semelhantes. A reflexão deixada pelo autor é clara: Será que, ao mandarmos essas pessoas para o corredor da morte, não nos rebaixamos a seu nível? O que nos faz tão superiores? O que dá o direito a um homem de tirar a vida do próximo? O que ganhamos e perdemos com isso?

Eu sei que o filme é incrível, mas vale a pena dar uma lida no livro. Tive minha experiência já tendo visto o filme algumas vezes, tendo certeza que o enredo seria idêntico… Mas, mesmo assim, torcendo para que eu estivesse errado. Acho que é essa a magia por trás das grandes histórias: Não importa quantas vezes elas forem contadas, você sempre espera que o final seja diferente. Obrigado, Stephen King, por ter escrito essa obra-prima da literatura contemporânea.

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Como foi ficar uma semana sem smartphone

Que estamos cada vez mais reféns de nossos smartphones não é novidade. Afinal, mantemos todos nossos emails, redes sociais, tarefas, e toneladas e toneladas de apps e informações pessoas neles. Mais do que a dependência, o smartphone vem roubando nossa atenção e competindo com o “mundo real”, fazendo com que ignoremos pessoas e deixemos de fazer uma coisinha ou outra para ficar vidrados em suas brilhantes tela touch.

Eu, assumidamente, sou viciado no meu Galaxy SII. Acordo, tomo banho, e, enquanto me arrumo para o trabalho, checo emails, Facebook, Instagram, e ainda baixo algum podcast para ouvir na minha caminhada diária. Também fico jogando Tripletown como se não houvesse amanhã no caminho de casa, além de me estatelar no sofá e passar o resto da noite curtindo fotos e twittando coisas sem sentido.

Sexta-feira passada resolvi fazer um experimento. A partir de uma discussão com o pessoal aqui da agência e diversos artigos que li por aí, percebi o quanto poderia estar perdendo por ficar vidrado tanto tempo no celular. Partindo desse raciocínio, pensei: Como será ter um smartphone e se desconectar totalmente dele? Como seria ter um telefone “comum” novamente?

Topei o desafio de fazer o experimento por uma semana (sim, é muito pouco. Mas eu ainda tenho outros apps mais úteis do que o aplicativo do Facebook e que quebram um galho em algumas situações). Por uma semana, meu celular seria um dumbphone, ou seja, só receberia e faria ligações e mandaria mensagens. Nada de wifi. Nada de 3G. Abri apenas duas pequenas exceções para a regra: Meu despertador (afinal, alguém precisa trabalhar aqui, né!) e meu aplicativo de controle financeiro, já que as coisas não andam tão bem assim!

Desconectei na sexta-feira mesmo, e posso dizer que foi um certo sentimento de alívio e liberdade (engraçado isso). Eis algumas das minhas considerações sobre a experiência:

O aparelho

Sim, continuei com o Galaxy. Bloqueei todos os apps com uma homescreen personalizada (Para este experimento utilizei a Holo Launcher HD – Aliás, #recomendo) e coloquei os aplicativos que usaria durante a semana no dock principal. Bloqueei a área de trabalho para não cair em tentação. Funcionou 🙂

A diferença mais clara com relação ao aparelho em si é a duração absurda da bateria: Em média, ao final de um dia de trabalho ela ainda estava nos 87%. Ou seja, não dá para culpar taaaanto assim a tela do celular por drenar a carga. Claro, sem os apps você o usa muito menos, mas achei que a diferença seria maior. Cheguei ao ponto de deixá-lo um dia inteiro sem carga, fui dormir e o deixei com a tela ligada durante a noite inteira (eu o uso como rádio relógio). No dia seguinte ainda tinha cerca de 30% de bateria, ou seja, o aparelho ainda aguentaria mais 2 dias de combate. Ponto para a bateria da Samsung aqui.

Sentimento de vazio

A rotina nos prega peças engraçadas. Eu tenho alguns problemas com minha câmera, uma vez que tiro foto de TUDO que vejo pela frente. Ok, não tudo… Mas de tudo o que eu acho legal por aí. E, claro, compartilho no Instagram. Várias vezes me peguei olhando algo muito legal e pensava “Cara, preciso tirar uma foto disso… Oh, wait…”. Nessas horas você percebe o quão patético é querer tirar foto de tudo. Com o tempo você se acostuma, mas diversas vezes desejei ter uma câmera à mão.

Também posso dizer que é oficial: pegar fila é um saco. Antes você simplesmente sacava o celular do bolso, dava uma olhadinha no Instagram, uma manchete ou outra no Flipboard, jogava uma partida de Tripletown… Não quando você está sem celular. Sabem com o que eu me divertia? Com a barra de rolagem do Android, que brilha quando chega no fundo. E com o easter egg dos Nyan Androids. Sim, é deprimente, eu sei.

Senti bastante falta também de ouvir música, mas esse tem seu lado bom: Aprendi que fico muito mais focado em um livro quando não estou ouvindo nada, só o som do metrô ou uma conversa aleatória ou outra. Não sei explicar o porquê, mas acontece. Outra fato engraçado sobre a música é como você percebe que está se excluindo do mundo exterior colocando os fones de ouvido. Enquanto esperava meu fretado (atrasado) na sexta-feira, acabei fazendo amizade com pessoas que pegam o mesmo ônibus que eu. Isso nunca tinha acontecido comigo, muito em parte, talvez, pelo bloqueio que o fone de ouvido causa.

Desconexão

Mas, claro, ficar sem celular tem seu lado bom. Ótimo, na verdade. Por alguns dias fiquei livre das notificações pentelhas do Facebook e dos trocentos spams do Peixe Urbano. “Mas, Danilo, é só desativar as notificações push!”. Sim, eu sei. Mas eu não acho tão prático assim, e as deixo por puro comodismo. Ficar sem elas me fez repensar essa situação. A ausência de notificações me fez perder um pouco da “síndrome do vibra fantasma”. Quando eu sentia o celular vibrar, é porque ele realmente estava tocando. Sem paranoia, sem fantasmas vibrando no meu bolso.

Porém, o mais legal é não se preocupar mais com o Facebook e Twitter. Antes meras distrações, ambos passaram a tomar grande parte da minha atenção, o que chegou a diminuir o quanto conversava com meus pais quando chegava em casa, por exemplo. Durante a maioria dos dias desta semana cheguei em casa e conversei bastante com a minha mãe ao invés de me jogar no sofá e abrir o Facebook ou o Instagram.

Eu falei em vazio?

Falar que minha produtividade aumentou absurdamente nessa última semana é pouco.

Ao invés de ficar pendurado no celular o dia inteiro, passei a ocupar esse tempo lendo. E como já gosto pouco de ler, não reclamei muito. No período sem smartphone terminei 2 dos 3 livros que estava lendo haviam pelo menos 2 semanas. Acho que nunca li tanto em uma única semana! Falando em leitura,  outra ferramenta que não pude contar por um tempo foi o Pocket, mas consegui ler um texto ou outro pelo webapp de Chrome mesmo. Ou seja, deixei de ler matérias muitas vezes triviais pela internet para ler meus livros. Acredito que tenha sido uma boa troca.

Também ocupei melhor meu tempo vazio durante a semana, antes preenchido por joguinhos e Facebook. Durante o fim de semana dei uma bela volta pelo bairro com a minha irmã para comprar algumas coisas (leia-se cerveja – que não pôde ser postada no instagram, por sinal), transformei a cabeceira da minha cama no meu canto de leitura, organizei meus livros e DVDs, estudei algumas apresentações no Slideshare… isso só para contar o fim de semana. Durante a semana estudei mais ainda, montei estratégias de Magic, meu hobby, li mais… Pode parecer pouco, mas é bastante para quem está acostumado a se jogar no sofá logo ao chegar em casa, não?

Sim, o Evernote, o Astrid e o Google Calendars fizeram uma falta absurda e suas ausências me fizeram esquecer algumas coisas durante a semana, mas nada muito sério. Isso só comprova que depender de nossos smartphones pode acabar prejudicando parcialmente nosso senso de memória, e que precisamos adotar processos para lembrar de algumas coisinhas (eu escrevo meus jobs da agência em post-its e colo na parede, por exemplo).

Dá para tirar uma conclusão do experimento?

Com certeza.

Dá para mudar aquele discurso que todos nós temos de que “aaah, eu não vivo sem meu smartphone!!!”. Vive sim, cara. E vive bem. Vivemos tantos séculos sem inúmeros outros recursos de tecnologia, por que não sem smartphones? Além do mais, muitas vezes nossos telefones são extensões de nossos computadores, o que reduz drasticamente a dependência pela ferramenta (ok, não podemos dizer tanto isso dos computadores).

Mais do que isso, precisamos aprender que, como todo vício, um smartphone pode fazer mal. Não digo em nossas saúdes, mas em nosso tempo, o que pode ser muito pior! Reclamamos muito que não temos tempo para fazer as coisas, mas quanto tempo passamos na frente do celular ou no Facebook? Um dia desses o Cris Dias, que me deixa no chinelo em número de lidos por ano (e eu não leio pouco), postou que as pessoas que reclamam que não conseguem ler uma quantidade razoável de livros são as mesmas que passam o dia no Facebook. E quer saber? É verdade!

Estou neste momento “ressuscitando” meu celular (Minha câmera! Meus jogos! Instagram!), mas confesso que essa semana foi de reflexão profunda sobre como devo utilizá-lo daqui para frente. Espero que essa experiência como um todo tenha algum efeito para mim a partir de hoje, e que eu possa ter uma relação muito mais amorosa com meu Galaxy do que obsessiva, como vinha sendo.

E você? Que tal fazer o teste também? Eu recomendo, faz um bem danado 🙂

Imagens tiradas do Flickr

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Anotação rápida: Defendendo ideias

Tem coisas que acontecem que me fazem pensar na vida e no nosso querido mercado publicitário…

Já ouvi de muita gente falando que não é bom o suficiente ou que não consegue ter ideias boas. Acho que ideias boas qualquer um tem capacidade para ter. inúmeras delas. O difícil é acreditar tanto nelas quanto em si próprio; é levar um ideal para frente e defender aquilo que criou e que pode criar.

Uma ideia sozinha é frágil; ela precisa ser protegida por quem a concebeu. É muito fácil destruir a ideia alheia. Difícil, meu amigo, é defende-la dos predadores.

Acredito que, acima de pessoas criativosas, que tem 500 ideias superficiais por dia, o mercado carece de “guardiões” de ideias: Pessoas que tenham a capacidade de ter ideias boas, mesmo que poucas, mas que tenham tanta paixão por elas, tanta vontade de fazer acontecer, que a protegem de várias porradas que elas venham a tomar.

Acho que é isso que precisamos ter em mente se queremos fazer as coisas acontecerem 🙂

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O início do romance entre instagram e facebook

Nunca se falou tanto no Instagram como nas últimas semanas. Em questão de um mês, a rede social com foco em fotografias vintage virou notícia por abrir pela primeira vez a possibilidade para seus usuários subirem fotos através de aplicativos terceiros, e fez barulho em sua chegada ao Android, o que lhe rendeu mais de 2 mil novos membros por minuto durante o dia de lançamento para a plataforma do robô verde da Google.

Mas o grande barulho com certeza foi causado no dia 9 de abril, quando Mark Zuckerberg anunciou aquela que seria a maior aquisição da história de sua rede social: por 1 bilhão de dólares, o Facebook adquirira o Instagram. Vale lembrar que o que está sendo comprado não é apenas um aplicativo social que permite customizar fotografias com filtros retrô, algo com que ele próprio já vinha trabalhando há algum tempo. A compra engloba uma comunidade imensa de 30 milhões de usuários, com potencial para atingir 50 milhões de pessoas nos próximos meses.

Muitos estão temerosos que a compra seja negativa para o Instagram, mas, ao que tudo indica, o negócio tem tudo para ser benéfico para a rede social. Mark anunciou que sua nova aquisição funcionará como uma empresa independente e sem vínculos de exclusividade para o Facebook, um discurso semelhante ao adotado pela Google na compra da Motorola, em 2011. Em contrapartida, o Facebook utilizará seus recursos financeiros e mão-de-obra para expandir o Instagram. Hoje, a rede fotográfica se sustenta com auxílio de investidores do Vale do Silício, e conta com um efetivo com pouco mais de 10 funcionários.

Essa expansão, além de representar novos recursos e melhor integração com o Facebook, representa também a possibilidade de criação de um modelo de negócios para o Instagram, que, até hoje, não tem molde de lucro. Encontrar formatos de monetização não é um problema para o Facebook, que divide com a Google o topo de empresa que mais lucra com anúncios online.

Curiosamente, a Google encontrou o mesmo desafio em 2006, com a compra do YouTube por 1,65 bilhão de dólares. A rede criada por Chad Hurley e Steve Chen já apontava como um dos sites que ditariam como o conteúdo seria distribuído na internet, mas não possuía um modelo de negócios, correndo o risco de falir caso algo não fosse feito. Assim, o Google encontrou uma forma de rentabilizar o YouTube através da propaganda.

O Facebook busca o mesmo com o Instagram, que contará com o enorme e extremamente segmentado sistema de propagandas da rede de Zuckerberg. Será possível consolidar o modelo de marketing visual, já adotado por muitas empresas graças, justamente, ao Instagram dentro do mercado de mídia.

Além disso, a compra representa um duro golpe no Google, que vem tentando fazer frente ao Facebook no mercado de redes e buscas sociais. O Instagram não possui integração com o Google+, e os sinais mostram que muito dificilmente isso acontecerá. Outro ponto importante a ser considerado é a integração das fotos da rede fotográfica dentro do sistema de buscas do Facebook, que já vem despertando preocupações em Mountain View. É possível que muito em breve vejamos alguma resposta do Google com relação à compra.

Infelizmente, muito do que se espera da compra ainda está no terreno da especulação, mas podemos aguardar coisas boas. Afinal, quando se investe 1 bilhão de dólares em um negócio, é importante fazê-lo dar retorno. É questão de tempo até vermos as cartadas do Facebook para tornar isto realidade.

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